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Tortelli reforça que privatização dos Correios ameaça serviço postal em 86% dos municípios gaúchos

  • 07/05/2018
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Vazamento de informação dá conta do fechamento de 513 agências e 5,3 mil demissões a partir deste mês

Informação divulgada no último final de semana pela colunista Andreza Matais, do jornal Folha de São Paulo, confirma a intenção do governo Temer de privatizar a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. A medida, que pode ser colocada em prática ainda este mês, ameaça a prestação de serviços postais a municípios com menos de 50 mil habitantes, alerta o deputado estadual Altemir Tortelli. Ele adverte que mais de 86% das cidades gaúchas – 453 dos 497 municípios-  poderão ficar sem a entrega de cartas, contas e demais correspondências, deixando desassistidas mais de 4 milhões de pessoas.

A jornalista publicou que nos próximos meses o governo federal vai fechar 513 agências próprias da EBCT e demitir cerca de 5.300 funcionários. Na lista há postos com alto faturamento. Em São Paulo, de acordo com a colunista, serão fechadas 167 agências – 90 na capital e 77 no interior. Em Minas, das 20 mais rentáveis, 14 deixarão de funcionar. Os clientes serão atendidos por agências franqueadas nas proximidades das que serão fechadas.

A medida foi aprovada em reunião da diretoria da empresa em fevereiro e mantida em sigilo pela empresa. Segundo Matais, quem participou da reunião teve de assinar um termo de confidencialidade, o que não é usual. “A desconfiança é de que a medida foi tomada para beneficiar os franqueados”, complementou.

Tortelli defende uma mobilização nacional pela manutenção do caráter público e pela qualificação dos serviços prestados pelos Correios, a exemplo da campanha de resistência popular que derrotou o projeto de reforma da Previdência Social. “Mesmo com dificuldades e possíveis desgastes, acredito que a maioria da população prefere manter os correios como empresa pública, fortalecida e não privatizada”, afirma. As dificuldades na prestação de serviços advêm, na opinião do deputado, do processo de esvaziamento dos Correios realizado para justificar a privatização da empresa com mais de 300 anos. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Correios e Telégrafos do RS, faltam dois mil carteiros só no Rio Grande do Sul em consequência da inexistência de concurso público.

A intenção de vender a empresa, diz Tortelli, obedece a concepção do governo que comanda o Brasil neste momento, alinhada à privatização de estruturas públicas, mesmo que lucrativas, e não pode ser decidida a portas fechadas e sem consulta à população. A EBCT tem um orçamento anual de R$ 23 bilhões, obteve um lucro de R$ 1 bilhão em 2017, entregou 7 bilhões de correspondências e enviou R$ 8 bilhões aos cofres da União no ano passado.

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