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Mulheres: o tempo é agora

  • 08/03/2018
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O tema do Dia Internacional da Mulher deste ano é “o tempo é agora: ativistas rurais e urbanas transformam a vida das mulheres”. Uma referência justa às milhares de lutadoras sociais que tiveram a coragem de ocupar espaços, defender novas causas e assegurar avanços e conquistas que hoje são rotinas na vida das mulheres e cuja proibição, no passado, parece ter sido impossível. Dizer hoje que mulheres não tinham acesso ao ensino, ao voto, aos esportes parece absurdo. Mas já foi assim.

O ativismo das mulheres foi importantíssimo nos últimos meses aqui no Brasil. Não só para assegurar avanços ou para denunciar e combater o assédio sexual, a violência, a desigualdade salarial.  Foi fundamental para evitar perdas de mais direitos, para barrar o projeto de reforma da Previdência Social do governo ilegítimo e golpista de Michel Temer, que insistiu até o último segundo na ideia de alongar o período de trabalho de homens e mulheres do campo e da cidade. Mulheres seriam as mais penalizadas pelo aumento do tempo de serviço, porque acumulam as atividades profissionais, os cuidados com filhos, família e porque enfrentam maior dificuldade no mercado de trabalho.  As agricultoras familiares teriam que trabalhar mais dez anos para conquistarem a aposentadoria, o que é impossível de aceitar frente à natureza da atividade, que exige saúde e vigor físico.

Me dirijo a todas as mulheres, lideranças ou anônimas, aguerridas, que derrotaram, ainda que momentaneamente, mais este absurdo destes tristes tempos que vivemos em nosso estado e país e que se somaria à reforma trabalhista, ao congelamento de investimentos em saúde, educação, segurança por 20 anos, ao fim de programas de apoio à agricultura familiar, ao desemprego crescente e ameaças constantes à democracia. É conveniente lembrar que esta fase iniciou com o golpe que retirou uma mulher eleita da presidência da República, a primeira presidenta do Brasil!

As mulheres rurais merecem um olhar distinto: constituem mais de 25% da população mundial, cultivam as terras e plantam sementes para alimentar as populações e garantem a segurança alimentar das suas comunidades. Contudo, em praticamente todos os indicadores de desenvolvimento, estão prejudicadas em relação aos homens rurais e às mulheres urbanas devido às desigualdades de gênero e à discriminação. Segundo a ONU, menos de 20% das pessoas em todo mundo que possuem terras são mulheres. Além disso, enquanto a diferença mundial de salários entre mulheres e homens se situa em 23%, nas áreas rurais pode chegar até 40%.

Estas mulheres precisam do Estado, das políticas públicas, da aposentadoria decente, da saúde pública valorizada e de educação de qualidade. Precisamos superar estas diferenças, caminhando juntas e juntos. O tempo é agora.

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